8 de fev de 2007

Victor Hugo



Emergindo de um feixe de luz sem nome eu vejo
Flores monstruosas e rosas amedrontadoras.
Eu sinto que sem intenção escrevo todas estas coisas
Que parecem, no pergaminho cru e trêmulo,
Sair sinistramente das sombras de minha mão.
Por acaso, grande respiração insensível,
Dos profetas, é você que perturba meus pensamentos?
Então para onde estou sendo conduzido neste azul noturno?
É o céu que vejo? Estou eu no comando?
Escuridão, estou fugindo? Ou estou perseguindo?

Tudo se entrega. Às vezes não sei se sou
O cavaleiro orgulhoso ou o cavalo selvagem;
Tenho o cetro em minha mão e o pedaço em minha boca.
Abram-se e deixem-me passar, abismos, golfo azul,
Golfo negro! Silencia-te trovão!
Deus, onde estás me levando?
Eu sou a vontade, mas sou o delírio.
Oh, vôo no infinito!
Às vezes eu digo em vão,
Como Jesus chamando “Lamma Sabacthani”,
O caminho ainda é longo?
Está terminado, Senhor?
Tu me deixarás dormir em breve?
O espírito faz o que quer.
Eu sinto a respiração rápida
Que Elisha sentiu, que o levantou;
E na noite escuto alguém me ordenando que siga!



De Lê germe parfois...”

(O bem às vezes germina), da coleção Toute la lire, publicado em 1888


Contribuição de Jugioli

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